No início do Século XVIII, Alfragide era constituído por três casais agrícolas que dispunham de nascentes de água e situavam na zona Sul da Freguesia Eclesiástica de Benfica, no seu limite com a freguesia de Carnaxide. Ao longo do século XVIII formou-se também a Quinta de Alfragide. Em documentos e cartografia do Século XVIII e XIX é comum este topónimo surgir com a grafia de Alferragide, que, ao que tudo indica, designaria uma terra boa para a produção de forragens para o gado. O seu nome é identificado atualmente como uma área empresarial de comércio e serviços.

Definição de Limites: Norte – IC 19/A37, Nascente – Limite do Concelho; Sul – Limite do Concelho, Poente – Estrada Nacional 117; Alfragide integra os aglomerados: Alfragide e Bairro do Zambujal.

Alfragide – a definição do topónimo

O estudo da origem da palavra – Alfragide – por dificuldade de meios de estudo, torna-se muito difícil. Não está num bom dicionário, não está numa boa enciclopédia, apenas num trabalho realizado pelo Dr. J. P. Machado (“Influencia Arábica no Vocabulário Português – Lisboa 1958”), é dito que «o vocábulo “Alfragide” estaria ligado a “forragem”, uma vez que próximo, em Monsanto, há um terreno pobre sob o ponto de vista agrícola, que foi denominado “cascalheiras”, e mais para poente, um terreno ubérrimo, onde a seara era sempre mais forte, denominado “reboleira”, logo seguido por outro de terras mais fracas, no outeiro, onde o trigo amadurecia mais cedo no “alto maduro”».

Surgiu então a ideia simples de lhe tirar o prefixo árabe “al” e começar a procurar nos dicionários a palavra “fragide”. Nada foi encontrado.

Contudo palavras parecidas foram encontradas:

– FORRAGEAR, forragear um campo é colher ou secar a verdura forraginosa desse campo;
– FERREJAR, é preparar a erva de um campo para os animais comerem, ceifando-a e, inclusive, secando-a se for caso disso;
– FERREJO, erva para forragem de gado;
– FERRAJEAL, campo de ferrejo;

Pessoas de idade vivendo em quintas próximas, diziam que os pais referiam “alfarragide”, outros dizem que antigamente se dizia “alferragide”. Pensa-se, com bastante segurança, que se poderá afirmar que efectivamente o topónimo “ALFRAGIDE”, está correcto e esta ligado à zona rural boa para “FERREJO”.

Assim sendo, pensa-se que os vocábulos “ALFERRAGIDE”, “ALFARRAGIDE” E “ALFRAGIDE” são todos correctos e como o Povo tem tendência a simplificar as palavras, e às vezes bem, o termo “Alfragide” é correcto e é bonito.

 

Nota Descritiva e Justificativa:

Com 2,51Km2 compreende todo o território da atual freguesia de Alfragide e parte da Buraca. Abrange territórios com géneses urbanísticas distintas mas com relacionamento físico e funcional entre si. A freguesia integra os aglomerados do Plano Integrado do Zambujal, Alfragide Sul, Quinta Grande e parque empresarial da EN 117. Trata-se de um território policêntrico, onde a oferta de bens e serviços está direcionada para procuras diferenciadas indissociáveis do estatuto socioeconómico dos seus habitantes.

A localização de serviços públicos da Administração Central e de Instituições de Solidariedade Social faz com que o Zambujal constitua um polo de emprego, situação que associada à heterogeneidade social dos residentes e ao processo de requalificação do bairro tem promovido a interação e harmonização com a área envolvente.

Por força das acessibilidades, a Quinta Grande destaca-se porque excede a função de centro de abastecimento de proximidade, afirmando centro empresarial.

No caso do contínuo Alfragide-Zambujal existe uma dinâmica de complementaridade funcional alicerçada em equipamentos de natureza diversa e reforçada pela atratividade exercida pelas superfícies comerciais. Em complemento a esta aglomeração, o eixo da EN117 constitui um importante parque empresarial estruturado pelo polígono: Miraflores, Linda a-Velha, Carnaxide e Quinta Grande. A vocação económica deste eixo de organização de fluxos, com a conclusão do IC 17, poderá ser reforçada pelo preenchimento dos espaços ainda disponíveis.

Globalmente a lógica de organização dos fluxos, com a conclusão do IC 17, obedece a uma exigência fundamental de penetração a Lisboa, sendo esta uma das vantagens locativas deste sector do território.

A construção da individualidade necessária à nova freguesia deve apostar na capitalização da diversidade social e económica como um fator potenciador da coesão territorial.

Das antigas quintas que outrora existiram na área da actual Freguesia, Quinta Grande de Alfragide, Quinta do Meio e Quinta das Torres, pouco hoje existe. A Freguesia é atravessada por um dos maiores aquedutos subsidiários do Aqueduto das Aguas Livres – o Aqueduto da Buraca ou Francesas – que, iniciando-se no Concelho de Oeiras, Serra de Carnaxide, vai entroncar com o Aqueduto Geral da Aguas Livres, já na Buraca, perto de Lisboa. Este ramal que dispõe de mais de 3428 m é na totalidade do seu percurso uma conduta subterrânea ou semi-soterrada, apresentando apenas como estruturas visíveis respiradouros que acompanham regularmente todo o seu percurso.

Existem na Freguesia 2 moinhos totalmente reconstruídos que contudo não laboram por não terem sido recuperados na totalidade, como símbolo, evocando as varias dezenas de moinhos que chegaram a laborar em simultâneo na região da Amadora.

Informações:

Residentes – 17.044
Área (KM2) – 2.51
Densidade Populacional (hab./km2) – 6.787
Edifícios (nº) – 1.006
Alojamentos (nº) – 7.484
Famílias (nº) – 6.454
Fonte: INE, Recenseamento Geral da População e Habitação, 2011